ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD (2019)

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Fui cobrado para falar desse filme há algum tempo. Não ia escrever nada, não tenho muito a acrescentar sobre tudo o que já foi dito, mas isso ficou na minha cabeça. Até porque ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD, nono trabalho de Quentin Tarantino (se considerarmos os KILL BILL’s como um único filme) é uma das experiências mais ricas e gratificantes que tive dentro de um cinema nos últimos anos. Quase três horas de puro prazer cinematográfico, feito por quem realmente sente tesão por cinema, ou por fazer cinema, pela mágica, pela fábula do cinema, a ficção, esse baluarte contra a realidade… Enfim, é Tarantino no seu melhor.

E o filme trabalha muito bem com essa ideia de fábula (Não é a toa que o título começa com “ERA UMA VEZ”). Mistura personagens típicos do imaginário “tarantinesco”, mas num contexto mais palpável (a Hollywood dos anos 60, o período de transição da indústria do cinema, a contracultura fervilhando), no qual o sujeito faz questão de subverter. A partir disso, temos Leonardo DiCaprio e Brad Pitt perambulando por Hollywood: O primeiro é Rick Dalton, ator que teve um passado de glória como cowboy numa antiga série de TV, mas agora está confinado, de uma produção à outra, aos pequenos papéis de vilão em participações especiais; O segundo, Cliff Booth, é a sua sombra, seu dublê, seu faz-tudo e, acima de tudo, seu amigo.

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São várias camadas, vários temas, para explorar em ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD e não tenho capacidade nem tempo de ficar enrolando aqui com isso… Mas a relação entre esses dois sujeitos é um dos mais fortes tratado sobre amizade do cinema recente. Bem bonito mesmo. Outra coisa que gosto é a ideia de mostrar os esforços que um ator faz para existir em seu tempo. E DiCaprio está simplesmente genial nessa representação. Só a sequência dele no trailer soltando os cachorros por ter esquecido umas falas já é melhor que a performance inteira que lhe rendeu o Oscar há alguns anos. E depois da gravação da cena, quando a menina lhe diz que foi a maior atuação que ela já viu na vida, fiquei tão emocionado quanto o próprio Rick Dalton…

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Mas o que realmente me fascina em ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD é um outro viés, bem mais sutil, mas tão importante quanto qualquer outro tema do filme. Reflete bastante pela presença de Sharon Tate (Margot Robbie), mas acaba dominando boa parte da atmosfera do filme, que é essa rememoração do fantasma de Charles Manson (que mal aparece no filme, quebrando várias expectativas), no que o filme pode ter de macabro e fatalista levando consigo os últimos fragmentos da utopia hippie. O que gera sequências como Brad Pitt no acampamento da seita de Mason, por exemplo, que é das melhores coisas que Tarantino já filmou na carreira.

Só que por outro lado, como já disse, Tarantino tem a crença total no cinema, em seu poder de fábula. Então, ele reescreve a história, como havia feito em BASTARDOS INGLÓRIOS. É por isso que temos coisas lindas como a cena da luta entre Booth e Bruce Lee – que gerou e uma polêmica danada – ou um final que transforma uma tragédia histórica numa farsa sangrenta. Um modo de usar o “Era uma vez” para dar sentido à vida. O cinema é mais bonito que a vida e substitui aos nossos olhos um mundo que concorda com nossos desejos.

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O elenco que Tarantino reuniu, como sempre, é especial: Al Pacino, Bruce Dern (que substituiu o Burt Fucking Reynolds, RIP), Kurt Russell, Luke Perry (RIP também), Michael Madsen, Martin Kove, Clu Gulager, James Remar, entre outros… Todos atuam com brilho e fazem suas participações, por menores que sejam, com dignidade. Se rolar uma versão estendida, é bem capaz de aparecer ainda o Tim Roth, que teve suas cenas cortadas.

Se querem saber, pra mim ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD é, certamente, o melhor filme de Tarantino desde os KILL BILL’s, e o melhor que assisti este ano até o momento. E como já estamos no final de outubro, acho bem difícil algum outro tomar este posto. Talvez THE IRISHMAN, de Martin Scorsese, que estreia mês que vem na Netflix e eu já estou babando de ansiedade. Veremos… De qualquer modo, 2019 está sendo um belo ano para o cinema.

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DVD REVIEW: A PRISIONEIRA DO CÁUCASO (1966); CPC UMES FILMES

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Acabo de ver A PRISIONEIRA DO CÁUCASO, que a CPC UMES Filmes lançou recentemente no mercado em DVD. Já previa que ia gostar logo de cara quando vi o nome do diretor, o russo Leonid Gayday, que já citei por aqui quando comentei sobre BRAÇO DE DIAMANTE, também lançado pela distribuidora na sua série de filmes soviéticos. E não deu outra. Trata-se de mais uma comédia deliciosa e irreverente do diretor, fazendo jus ao grande sucesso na época de seu lançamento, ultrapassando a marca de setenta milhões de ingressos vendidos.

Mesmo repleto de um humor que se escora em elementos regionais, A PRISIONEIRA DO CÁUCASO é um filme fácil e acessível no melhor sentido das palavras, mesmo para um olhar ocidental. Inspirado num conto de Leo Tolstoi para os tempos soviéticos modernos (década de 60), a trama gira em torno de Shurik (Aleksandr Demyanenko), um ingênuo estudante russo que viaja de burro pelas aldeias rurais à procura de velhos contos e tradições folclóricas. A história se passa na região do Cáucaso, onde o rapaz se mete em várias situações absurdas e cômicas – humor nonsense, leve e bobo, mas que me deixou com um sorriso no rosto durante toda a projeção – ao interagir com os estereótipos e a cultura local. Numa dessas, Shurik acaba entrando numa enrascada ao se envolver por engano no plano de sequestrar Nina, uma jovem atleta que está passando férias na casa de seu tio, a fim de forçá-la a se casar com um poderoso político local.

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Pensando estar seguindo as tradições da região, o nosso ingênuo herói percebe o embaraço por ter ajudado no crime e resolve consertar o estrago. E A PRISIONEIRA DO CÁUCASO vai ficando cada vez melhor e absurdamente hilário, com personagens e situações de fazer o cinema vir abaixo de tanta risada (a perseguição de carro pelas estradas no final é digna de antologia das melhores comédias dos anos 60). Um dos destaques do filme é o elenco. Demyanenko está ótimo, mas é ofuscado por Nina, interpretada por Natalya Varley, que é uma fofura, tem muito carisma em cena. Mas o melhor de tudo é uma uma versão russa de Os Três Patetas, os capangas encarregados de sequestrar a moça (um deles interpretado por Yuiy Nikulin, protagonista de BRAÇO DE DIAMANTE), típicos sujeitos que usam a cabeça de um deles como aríete, para arrebentar uma porta trancada…

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Bom demais! Agora preciso ver um outro exemplar já lançado pela CPC UMES Filmes em DVD há alguns anos, 12 CADEIRAS, também do Gayday. Tenho a impressão que vou me divertir tanto quanto este aqui e BRAÇO DE DIAMANTE.

O DVD de A PRISIONEIRA DO CÁUCASO lançado pela CPC UMES Filmes no mês passado está valendo muito a pena. Imagem restaurada, som excelente, tem informações sobre o diretor, argumento e trilha sonora, e o filme em si é uma belezura. Pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo ou no site da distribuidora. E não deixe de curtir a página da CPC UMES Filmes no Facebook para ficar sabendo das novidades e os seus próximos lançamentos em DVD e Blu-Ray.

CIDADE DAS ILUSÕES (Fat City, 1972)

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A Versátil vai lançar um box do John Huston em dezembro e, dentre os títulos, o destaque é sem dúvida CIDADE DAS ILUSÕES, um dos melhores filmes do homem. Como sabem, Huston é diretor da era clássica de Hollywood, tinha mais trinta anos de carreira àquela altura. Mas aí veio a Nova Hollywood e suas liberdades, os velhos diretores acoados, e o sujeito me vem com essa PEDRADA que é CIDADE DAS ILUSÕES.

Foi uma espécie de filme redenção para Huston, cujos dois ou três trabalhos anteriores não foram muito bem. Baseado num romance de Leonard Gardner (que também escreveu o roteiro), o filme segue Stacy Keach como Billy Tully, um lutador de boxe que nunca viu o sucesso e vive na miséria. Quando Billy faz uma rara visita à academia, ele conhece Ernie (Jeff Bridges), a quem Billy vê algum potencial no boxe e sugere que vá ver seu antigo treinador, Ruben (Nicholas Colasanto). Ernie acaba indo e logo se vê trinando sob a batuta de Ruben, enquanto a vida de Billy se deteriora ainda mais. Especialmente quando começa um caso com uma alcoólatra chamada Oma (Susan Tyrell, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por este filme).

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Ao mesmo tempo em que Ernie começa sua carreira de lutador, ele também enfrenta problemas quando engravida sua namorada e logo deixa para trás o mundo do boxe. Quando Ernie e Billy se reencontram numa jornada de trabalho pesado no campo, ambos se inspiram para voltar ao ringue. No entanto, para quem supõe que os personagens de Bridges e Keach conseguem superar as dificuldades e enxergam alguma esperança no horizonte através do esporte, num tipo de clímax vitorioso nos ringues de boxe, bom, a coisa não vai muito por esse caminho. Isso porque CIDADE DAS ILUSÕES não é lá um “filme de boxe” (apesar do próprio Huston ter sido boxeador na juventude). É um filme sobre pessoas fodidas na vida. É um retrato amargo sobre perdedores, que por mais que tenham sonhos e ambição, são fodidos demais para alcançar seja lá quais forem seus objetivos… Ao invés do sucesso, a frustração inevitável de indivíduos que povoam quartos sujos de hotéis baratos, bares decadentes e academias de ginásticas de periferia.

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As coisas até parecem começar a dar certo para Billy no terceiro ato do filme, quando finalmente se livra da amante e vence sua luta de “retorno”. Mas logo depois se autodestrói, rastejando de volta à primeira garrafa que vê pela frente. Não há redenção em CIDADE DAS ILUSÕES. Billy termina o filme exatamente como havia iniciado e, embora não conheçamos o seu futuro, parece ser totalmente insignificante… Mas o filme também não fica fazendo julgamentos moralistas pra cima dos personagens. Huston os trata como seres humanos enquanto sua câmera documenta os destroços que são suas almas nessa vida de desolação.

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Huston era um mestre de marca maior, um contador de histórias fenomenal. E aqui está no auge, mesmo num trabalho aparentemente mais discreto, “menor”, que estuda os pequenos detalhes, mas que é ao mesmo tempo uma obra poderosa e sensível, iluminada pela condução de Huston e pelas performances maravilhosas de Keach e Bridges. A fotografia magistral de Conrad Hall também é outro destaque. Prova que ele podia filmar bares e academias com tanta habilidade que quase dá para sentir o cheiro de cigarro, cerveja e suor.

Para John Huston, CIDADE DAS ILUSÕES foi um retorno bem-sucedido, um sucesso de crítica e financeiro. E o velho ainda tinha talento de sobra para gastar mesmo depois de todas as transformações que o cinema americano sofreu no período. Enfim, aqueles que esperam um filme esportivo inspirador podem ficar desapontados, mas pra quem curte estudos de personagens, CIDADE DAS ILUSÕES é uma pequena obra-prima. E só por esse título já tá valendo a caixa que a Versátil vai lançar.

HARDGORE (1974)

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Uma jovem ninfomaníaca que sofre de alucinações é colocada em um centro de reabilitação. O que ela não sabe é que o proprietário do local é o líder de um culto satânico que usa seus pacientes neuróticos para povoar orgias bizarras com direito a sacrifícios humanos… Bom, não dá pra negar, ao menos, que HARDGORE é um filme único!

Com apenas uma horinha de duração, trata-se de um híbrido de terror/pornô, típico do cinema de exploração americano dos anos 70, do tipo ‘porn chic‘ daquela época, mas jogando satanismo e gore na mistura. E resulta num filme pornô que, pelo menos, tenta algo diferente, o que é sempre bem-vindo, é claro. Mas acho bem difícil alguém ficar excitado hoje em dia com esse tipo de material… Nenhuma atriz (ou ator) é muito atraente, as cenas de sexo explícito não tem lá muita graça, e a trilha sonora tem a mania irritante de reciclar a mesma música repetidas vezes durante o filme. As sequências de horror são pouquíssimas e esporádicas, e, quando acontece, a falta de orçamento não ajuda muito. As tais “orgias satânicas” são quase completamente estáticas e com pouca coisa interessante acontecendo, apesar de algumas torturas. A cena em que uma mulher é guilhotinada no momento em que seu parceiro atinge o orgasmo definitivamente é um dos destaque de HARDGORE (aliás, que título mais cretino, pqp). Outra ceninha boa é a do cara que tem o pênis cortado, o que resulta na protagonista recebendo um tipo diferente de fluido no rosto, diferente do que ela originalmente esperava… Sim, um filme para toda a Família! As sequências de alucinações da protagonista também são bem bobinhas. Na maioria das vezes, bastante ridículas (vibradores voando com cordinhas, jorrando porra?). Eu sei, não deixa de ser bizarro ao mesmo tempo. 

Depois de passar maus bocados, a protagonista se vinga no final sob a forma de um tumulto generalizado, mas mesmo isso é bastante tedioso e o filme acaba de repente. Recomendo.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.14: THIRD FROM THE SUN (1960)

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O cientista William Sturka (Fritz Weaver), certo de que uma guerra nuclear capaz de destruir todo o planeta é iminente, conspira com o piloto de teste Jerry Riden (Joe Maross) para roubar uma nave espacial experimental e fugir com suas famílias para um outro planeta. Após alguns contratempos, conseguem embarcar na nave e partem rumo ao desconhecido. No espaço, perguntam como será a nova casa. Das transmissões de rádio, sabem que é habitado por pessoas como eles mesmos, e que o nome do planeta é… Bom, não vou revelar para não estragar o prazer de quem ainda não viu THIRD FROM THE SUN. Um dos meus episódios favoritos da primeira temporada de ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

Embora a revelação seja um bocado óbvia… Como o título já diz, é o terceiro planeta a partir do sol…

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O capítulo foi adaptado por Rod Serling a partir de um conto de mesmo nome escrito por Richard Matheson (que já estava trabalhando como roteirista na série). Ao contrário de AND WHEN THE SKY WAS OPEN, uma adaptação mais livre de Serling da história “Disappearing Act” de Matheson, este aqui é mais fiel ao seu material de origem. Serling simplesmente aprimorou um pouco a trama, adicionando um vilão (Edward Andrews) e mudando alguns detalhes para criar suspense. A história de Matheson é boa, mas muito sintética, não há o suficiente para transformá-la em um episódio de meia hora de uma série como ALÉM DA IMAGINAÇÃO sem adicionar outros elementos.

O episódio marca a estreia de Richard L. Bare como diretor da série. Faria um total de sete episódios ao longo dos anos. E uma das coisas que chama a atenção em THIRD FROM THE SUN é justamente o seu inventivo trabalho de direção. Basicamente, o episódio inteiro é filmado com a câmera em ângulos tortos e desconfortáveis e outros truques elaborados para brincar com a percepção do espectador, jogando visualmente evidências de que a trama transcorre num planeta estranho. E Bare consegue isso brilhantemente, empregando o uso de lentes grande angular que encobrem esse mundo em uma atmosfera de desorientação.

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Os atores também merecem destaque. Especialmente Fritz Weaver, que está fantástico aqui, carregando a culpa de ter contribuído para criar esse mundo horrível prestes a virar pó. Mas Edward Andrews é quem rouba a cena nos poucos momentos em que aparece. Seu personagem é o típico vilão que na superfície não há muito o que notar. Seus atributos maquiavélicos são encontrados não tanto no que ele diz, mas na maneira como diz e no clima desconfortável que parece se apegar a ele onde quer que vá. Um bom exemplo disso é durante a cena da mesa de pôquer (da imagem acima), quando Andrews entra na casa de Sturka enquanto ele e Riden estão traçando sua rota de fuga. O sujeito não diz nada de ameaçador durante a cena, mas a ameaça está lá, irradiando dele. Em um movimento, Andrews pega as pontuações de pôquer dos dois sujeitos, que coincidentemente tem o plano de fuga do outro lado da folha. Uma aula de gestos, olhares e suspense…

Mesmo com a grande revelação final de THIRD FROM THE SUN sendo totalmente óbvia e previsível, a história que a antecede apresenta uma reflexão interessantes sobre uma das maiores paranóias do período, a ameaça de uma guerra nuclear entre EUA e URSS durante a Guerra Fria. Além disso, temos personagens atraentes e uma trama tensa suficiente para o episódio merecer o carimbo de “diversão garantida”.

MOMENTO JESS FRANCO: LORNA – A EXORCISTA (1974)

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Não há exorcistas em LORNA – A EXORCISTA (Lorna – The Exorcist), mas todo mundo estava tentando lucrar com o sucesso do clássico de William Friedkin, lançado em 1973, O EXORCISTA. Então para o diretor Jess Franco (e muitos outros realizadores da época) o título provavelmente parecia uma boa ideia. Portanto, esqueçam os exorcistas e sigamos em frente.

A trama de LORNA – A EXORCISTA é bem simples, mas a narrativa de Franco, como sempre, não é fácil de acompanhar. A história acaba sendo entremeada de ambiguidades e mistérios que acabam fazendo mais sentido na cabeça de Franco, que já devia estar pensando nos dois ou três próximos filmes que faria à seguir à toque de caixa.

Patrick Mariel (Guy Delorme) é um empresário bem sucedido cujo passado volta para assombrá-lo quando se aproxima o aniversário de 18 anos de sua filha (Lina Romay). Durante o decorrer da trama, ficamos sabendo que a riqueza de Patrick chegou de modo bem fácil. Ele estava na pior e desesperado e conheceu a exótica Lorna (Pamela Stanford), uma espécie de demônio/bruxa que controla a mente e os impulsos sexuais, obviamente, de suas vítimas. Ela garante que Patrick teria sucesso se ele aceitasse um acordo muito simples. Tudo o que ele precisava fazer era transar com ela, depois voltar para casa e fazer amor com sua esposa. Patrick, com sua mente nublada tanto pela luxúria quanto pela ganância, concorda com o pacto.

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Depois de nove meses, vem o resultado, como já dizia o É o Tchan. A esposa (Marianne, interpretada por Jacqueline Laurent) concebeu uma menina, Linda. No entanto, segundo o pacto de Lorna, a criança seria sua quando completasse dezoito anos. LORNA – A EXORCISTA se passa exatamente às vésperas do aniversário de Linda, durante uma viagem em família em que Patrick leva sua mulher e filha para um balneário no sul da França, ao mesmo tempo em que Lorna reaparece para cumprir o pacto realizado quase duas décadas antes.

Enquanto isso, os elementos sobrenaturais típicos de Jess Franco vão tomando conta do enredo. Nunca temos certeza se estamos lidando com manifestações reais do sobrenatural ou se tudo pode ser explicado como coincidência, loucura, ou algum tipo de hipnose. Como nos melhores filmes de Franco, não há uma linha divisória clara entre o real e o imaginário. E é aí que franco se aproveita para explorar longas cenas eróticas, com as personagens femininas se encontrando sem qualquer preocupação lógica de tempo e espaço. A quantidade de sexo e nudez em LORNA – A EXORCISTA são prodigiosas, com direito a sexo lésbico explícito, mas isso é mais ou menos esperado em um filme do diretor nesse período.

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E como nos melhores trabalhos de Franco, a perversidade e o sexo são o núcleo do filme. As dimensões psicológicas do sexo e do sobrenatural se reúnem num coquetel perturbador. Alguns diretores são obcecados por temas e passam anos trabalhando para tentar se expressar perfeitamente na tela. Franco não tinha tempo a perder, e trabalhava seus temas obsessivamente FAZENDO FILMES, tentando expressá-los em caráter de acumulação. Por esse motivo que o sujeito tem uma filmografia tão extensa. E é também a razão pela qual uma série de trabalhos de Franco, em determinados períodos, são tão similares. Enfim, é impossível compreender a obra do homem até que tenha visto um bocado de seus filmes… E LORNA – A EXORCISTA é um desses exemplares que deve ser visto no contexto de um ciclo de filmes de Franco da primeira metade dos anos 70. Um ciclo que inclui alguns de seus filmes de terror eróticos mais provocativos, controversos e perturbadores.

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O elenco contribui bastante, os quatro personagens principais se entregam ao projeto. Com destaque para Lina Romay, que está perfeita, atribuindo à Linda uma mistura inquietante de inocência e depravação. Temos uma breve, mas divertida, aparição de Howard Vernon como mordomo de Lorna. E o próprio diretor faz sua habitual participação como um médico numa subtrama que envolve uma mulher seminua num sanatório que poderia literalmente ser cortada do filme sem qualquer prejuízo… Mas esse tipo de bagunça narrativa também faz parte da graça na obra de Franco.

Vale destacar ainda as locações. LORNA – A EXORCISTA Foi filmado na cidade ultramodernista de Grand Motte, em Camargue, no sul da França, num espetacular resort à beira-mar. E Franco abusa desse cenário com sua câmera recheada de zoons… Er… Não é dos seus melhores trabalhos de direção, mas tem alguns momentos mais inspirados. Especialmente filmando a arquitetura dos prédios modernos do local.

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LORNA – A EXORCISTA foi restaurado e lançado há alguns anos lá fora pela Mondo Macabro, uma das melhores distribuidoras de home video que existe atualmente. A qualidade da imagem está impecável dentro do possível… Recomendo aos experts em Jess Franco que ainda não conferiram. Quem não conhece muito bem o trabalho do diretor, existem outros exemplares mais acessíveis para adentrar no sórdido mundo de Jess Franco.

SOLARIS no Circuito SPCine

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Na programação deste mês de Setembro do Circuito Spcine será exibido SOLARIS, clássico da ficção científica, de Andrei Tarkovsky.

A sessão será quarta-feira, 25/09/19, 19:00h, no Centro Cultural São Paulo, Sala Paulo Emílio.

Os ingressos têm preços populares: R$ 4,00 a inteira, R$ 2,00 a meia-entrada.
Mais informações no link: http://www.circuitospcine.com.br/filmes/solaris/

Todas as produções selecionadas pela SPCine são do Mosfilm, o maior e mais antigo estúdio cinematográfico da Europa, representado nesta iniciativa pela CPC-UMES Filmes.

THE DEBT COLLECTOR, TRIPLE THREAT, ACTION NEWS e INSTAGRAM…

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As coisas por aqui andam meio paradas, mas escrevi dois textinhos inéditos recentemente para o ACTION NEWS, site voltado para cinema de ação que eu porcamente edito e que, no entanto, está voltando com tudo! Especialmente nas redes sociais, que é onde temos concentrado notícias, informações, imagens, tudo que envolve filmes de ação e cinema badass. Curta nossa página no Facebook, se ainda não curtiu, e siga nosso perfil no Instagram, se ainda não segue, para ficar por dentro das novidades.

Ainda sobre esse lance de Instagram e este recinto aqui, o meu humilde VÍCIO FRENÉTICO, a falta de tempo e a correria do dia a dia não tem me deixado muito à vontade para publicar com a devida frequência que eu gostaria de ter. Tem sido mais fácil atualizar as coisas pelo celular no Instagram do que ficar escrevendo textos maiores por aqui… Óbvio que pra mim nada substitui o bom e velho blog e não tenho intenção alguma de abandonar a casa ou algo parecido, mas de tempos em tempos as postagens por aqui ficam escassas. Mas não se preocupem que não vou a lugar algum. E enquanto estou na situação atual, com o tempo corrido, tenho postado e apostado bastante no Instagram.

Portanto, quem quiser acompanhar meu perfil pessoal por lá, é só clicar aqui. Ficarei grato. Tenho publicado diariamente coisas boas sobre cinema, VHS, livros que leio, discos de vinil, fotos dos meus gatos e outras bobagens aleatórias…Enfim.

Mas o objetivo principal deste post era para linkar os textos que escrevi recentemente no ACTION NEWS. Seguem os links e sejam felizes:

O COBRADOR DE DÍVIDAS (2018), de Jesse V. Johnson
TRIPLE THREAT (2019), também de Jesse V. Johnson

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9º CINEFANTASY ANUNCIA PROGRAMAÇÃO

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COM 119 FILMES DE 26 PAÍSES, EVENTO ACONTECE DE 03 A 08 DE SETEMBRO EM SÃO PAULO

O CINEFANTASY – Festival Internacional de Cinema Fantástico chega à sua nona edição com um total de 119 filmes, de 26 países. O evento, que acontece de 03 a 08 de setembro no MIS – Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, recebeu 1001 títulos de 58 países e dos cinco continentes durante as inscrições.

A sessão especial de abertura acontece no dia 03/09, às 20h, com a exibição do filme “Morto Não Fala”, inédito na cidade de São Paulo com direção de Dennison Ramalho, e no elenco os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato.

O festival homenageia o diretor e ator José Mojica Marins com a criação do troféu que leva o seu nome, uma replica da sua famosa mão, que será entregue aos vencedores de cada categoria.

A mostra competitiva apresenta 115 filmes, entre longas e curtas, de 26 países, todos inéditos no circuito comercial. Um dos destaques é a criação da mostra Fantástica Diversidade, que recebe filmes com a temática LGBTQ+.

A programação conta ainda com as mostras Mulheres Fantásticas, sessão Espanha Fantástica, Sessões Especiais e Atividades Inclusivas, com workshop stop montion com monstros animados para crianças portadoras de necessidades especiais da AACD e sessões com legendas descritivas.

De acordo com a diretora do festival, Monica Trigo, “A nona edição foi construída com resistência e muita parceria, porque entendemos que o audiovisual é um elemento central para a cultura brasileira: aquece a economia, gera empregos, produz manancial simbólico e o cinema fantástico se apresenta como expansor de sonhos possíveis e impossíveis fazendo o coração saltar apesar dos tempos sombrios”.

O 9º Cinefantasy é realizado por meio do edital do ProaC, da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, Vermelho Filmes e Fly Cow Produções e conta com os apoios do MIS – Museu da Imagem e do Som, CTAv – Centro Técnico Audiovisual, Mistika, Elo Company e Embaixada da Espanha no Brasil.

MOSTRA COMPETITIVA

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“Renascida”

Espinha dorsal do Cinefantasy, a mostra competitiva apresenta o cinema fantástico mundial contemporâneo trazendo filmes de diversos países e diferentes culturas.

Os filmes desta edição exploram o fantástico nas mais diversas formas, dimensões paralelas, antimatéria, espectros, mitos, lendas, detalhes estranhos na rotina do dia a dia e até a criação de novos mundos. Os filmes da mostra competitiva são um convite ao público para imaginar como seria a realidade se fosse alterada.

Dentre os inscritos, foram selecionados 115 títulos, entre 19 longas e 96 curtas-metragens, vindos de 26 países. O Brasil está presente em todas as sessões com um total de 39 filmes e a Espanha é o segundo país com mais filmes em competição com um total de 18 filmes.

A grande diferença desta edição é a quantidade de mulheres diretoras. Foi um aumento de 185% em relação a edição de 2018.

Entre os destaques, a criação da mostra Fantástica Diversidade com curadoria do diretor Hsu Chien. Desde as edições anteriores o Cinefantasy recebe filmes com a temática LGBTQ+, mas este ano o festival dedica uma mostra competitiva exclusiva aos filmes sobre diversidade sexual, com 8 títulos de sete países.

Com um total de 23 categorias de premiação, o Cinefantasy contempla os melhores longas e curtas-metragens de fantasia, horror e ficção científica, além de prêmios técnicos como melhor diretor, roteiro, ator e atriz. Há categorias exclusivas de estimulo aos cineastas brasileiros da mostra Brasil Fantástico para curtas nacionais. O título vencedor receberá como premiação da Mistika o serviço de encode DCP de até 20 minutos e do CTAv o empréstimo de uma câmera blackmagic e acessórios por duas semanas e até 20 horas de mixagem.

A novidade é Prêmio “Aquisição Elo Company” no qual o curta-metragem premiado terá representação comercial no território nacional pelo período de 12 meses em diversas plataformas do audiovisual.

BRASIL NO CINEFANTASY
Os longas nacionais “A Noite Amarela”, do diretor paraibano Ramon Porto Mota, inédito em São Paulo e exibido no Festival Internacional de Roterdã, será exibido no dia 06/09, às 20h. A animação curitibana de Tulio Viaro, “O Bem-Aventurado” estreia no dia 03/09, às 16h. Já o documentário Fakir, da diretora Helena Ignéz, exibido pela primeira vez em uma mostra competitiva, ganha sessão no dia 04/09, às 19h.

Os curtas brasileiros estão presentes em todas as sessões com filmes das cincos regiões do País, exceto a mostra Espanha Fantástica.

ESTRANGEIROS PREMIADOS

O Último Nascer do Sol(Last Sunrise), do diretor chinês We Ren .

“O Último Nascer do Sol”

O longa-metragem de ficção cientifica “O Último Nascer do Sol”(The Last Sunrise) do diretor chinês We Ren desembarca em São Paulo com sete prêmios: melhor filme em festivais como Fantasporto (Portugal), Worldfest Houston e Phoenix Film Festival (EUA). A exibição será no sábado, dia 7 de setembro, às 20h.

Em première nacional, o filme “Você Não Sai Da Minha Cabeça”(You Go ToMy Head),do belga Dimitri de Clercq (que foi produtor do polêmico documentário Leni Riefenstahl, A Deusa Imperfeita, de Ray Müller) será exibido na quinta-feira, dia 5 de setembro, às 20h. A obra, que marca a estreia de Dimitri como diretor, já recebeu mais de 20 indicações e sete prêmios em diversos festivais.

DIRETORES PRESENTES NAS SESSÕES
O 9º Cinefantasy recebe a presença de importantes diretores como o curitibano Tulio Viaro mostra seu processo criativo com diversas técnicas de animação e manipulação de bonecos no longa “O Bem-Aventurado”, no primeiro dia da mostra competitiva de longas-metragens, 03 de setembro às 16h.

O diretor mexicano Carlos Preciado, que já morou em São Paulo e estudou na New York Film Academy, apresenta a obra “Obscuro Despertar”, filme em première mundial com a atriz Daniela Ortiz, no dia 03 de setembro às 19h.

Alon Newman, diretor do filme israelense “A Compositora” (The Composer), apresenta seu filme no dia 04 de setembro às 20h. O diretor do premiado curta-metragem Antivirus apresenta seu mais recente longa-metragem em première latino-americana.

Você Não Sai da Minha Cabeça, de Dimitri De Clercq

“Você Não Sai Da Minha Cabeça”

O belga Dimitri de Clercq (que foi produtor do polêmico documentário Leni Riefenstahl, A Deusa Imperfeita, de Ray Müller) apresenta em première brasileira a sessão de “Você Não Sai Da Minha Cabeça” (You Go ToMy Head), seu primeiro longa-metragem filmado no Marrocos. A sessão acontece no dia 5 de setembro, às 20h.

O diretor Mark Doneo, que nasceu na Austrália, filho de Malteses, ator de dezenas de musicais e de séries de TV em Malta, vem ao Brasil para apresentar “As Lágrimas da Casa de Qala”(The Weeping House of Qala), seu segundo longa-metragem, que será exibido em première nacional no dia 06 de setembro à 18h.

Já o diretor brasileiro Ramon Porto Mota apresenta seu horror existencial e os conflitos dos adolescentes no mundo atual com a exibição do longa paraibano “A Noite Amarela”, dia 06 de setembro à 20h, no MIS.

FANTÁSTICA DIVERSIDADE

A Trava das Trevas (Fantástica Diversidade)

“A Trava das Trevas”

Com curadoria do diretor Hsu Chien, a mostra Fantástica Diversidade que tem a temática LGBTQ+, acontece no dia 06 de novembro, às 19h, com exibição de oito curtas-metragens de países como Hong Kong, Espanha, Argentina, México, EUA, Itália e Brasil. A mostra apresenta a necessidade de ampliar o caminho para uma sociedade mais justa e igualitárias em direitos.

MULHERES NO CINEMA FANTÁSTICO

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“Desilusion”

A diretora do festival, Monica Trigo assina a curadoria da mostra Mulheres
Fantásticas que apresenta um aumento da presença das mulheres como
realizadoras e chama a atenção na programação do 9º Cinefantasy. São 11
títulos da mostra competitiva em que as mulheres estão na direção. Foi um
aumento de 185% em relação a edição de 2018.

O CINEMA FANTÁSTICO ESPANHOL
Já não é de hoje que a Espanha se destaca como o país da nova era do cinema fantástico e dessa forma não é novidade que o país foi o segundo com maior número de inscritos na 9ª edição do Cinefantasy. Foram 18 selecionados para as mostras competitivas de curtas-metragens, com destaque para a sessão Espanha Fantástica, que traz o que há de melhor no cenário atual do gênero do país.

SESSÕES ESPECIAIS
O Cinefantasy homenageia o ator Sérgio Mamberti com a exibição especial do filme “Castelo Rá-Tim-Bum”, de Cao Hamburger, que completa 20 anos, no dia 07 de setembro às 11h.

O clássico “A Bruxa de Blair”(The Blair Witch Project), que também celebra seus 20 anos em 2019, ganha sessão especial no dia 08 de setembro, às 17h.

Já o premiado longa de animação brasileira “Tito e os Pássaros”, único brasileiro pré-indicado ao Oscar 2019 na categoria melhor animação, será exibido no dia 08 de setembro, domingo às 15h com uma cópia com legenda descritiva e presença dos diretores Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg.

ABERTURA E ENCERRAMENTO

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“Morto Não Fala”

O Cinefantasy abre no dia 03 de setembro, às 20h com a sessão especial de “Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho filme inédito na cidade de São Paulo com os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato. Primeira obra do elogiado diretor dos curtas “Amor Só de Mãe” e “Ninjas”, o longa estreia nos cinemas a partir de 19 de setembro.

A cerimonia de encerramento acontece no dia 08 de setembro, às 19h com a homenagem ao ator Sérgio Mamberti e aos diretores Eduardo Sanchez e Dan Myrick pelos 20 anos do filme “A Bruxa de Blair” com surpresas na sessão.

Também serão divulgados os vencedores da nona edição com entrega do troféu José Mojica Marins.

CURADORIA
O diferencial desta edição é a partilhamento da curadoria que recebeu um grande número de inscritos, num total de 1001 filmes em 11 categorias. O curador geral Eduardo Santana convidou 8 profissionais do audiovisual para compor a equipe. São eles: Beatriz Saldanha, Carlos Primati, Hsu Chien, Ivo Costa, Lucia Caus, Marcelo Carrard, Monica Trigo e Vebis Junior. O 9º Cinefantasy tem um olhar plural como as mostras que oferece.

JURI
Um time composto por gestores públicos, cineastas, pesquisadores, professores, programadores, atores, cinéfilos e escritores, constituem um juri de 35 profissionais, divididos em 11 mostras competitivas. São eles: Alê McHaddo, Alfredo Suppia, Ana Paula Nogueira, André Diniz, André Sturm, André Vianco, Camila Borca, Celio Franceschet, Celso Duvecchi, Cristina Amaral, Daniela Pfeiffer, Dilvania Santana, Donny Correia, Eleonora Rosset, Flávio Campello, Francisco Gaspar, Glauber Piva, Heber Trigueiro, Hugo Gurgel, Hsu Chien, Isabel Wittmann, Katia Coelho, Laura Canepa, Leandro Caraça, Letícia Santinon, Marcio Rosário, Malu Andrade, Marcelo Carrard, Marciel Consani, Pablo Ferreira, Pedro Venceslau, Raul Christiano, Simone Yunes, Valdir Rivaben e Victor-Hugo Borges.

ATIVIDADES INCLUSIVAS
O Cinefantasy oferece um workshop stop motion com monstros animados, para crianças portadoras de necessidades especiais da AACD. O evento acontece no dia 22/08, às 14h, na Rua dos Açores, 310. As crianças produzirão um filme de no máximo 1 minuto, que será exibido no dia do encerramento do festival (08/09, no Museu da Imagem e do Som).

O festival brinda o público das sessões dos filmes de animação “O Bem-Aventurado” de Tulio Viaro e “Tito e os Pássaros”de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto com legendas descritivas.

SERVIÇO
9º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico
Quando: 03 a 08 de setembro
Local de Exibição: Museu da Imagem e do Som (MIS-SP)
Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Entrada Gratuita – Retirada dos ingressos com 1 hora de antecedência.
Site oficial: http://www.cinefantasy.com.br/

Sessão de Abertura: Dia 03/09, terça, às 20h com a exibição de“Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho filme inédito na cidade de São Paulo com os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato..

Cerimonia de Encerramento: Dia 08/09, domingo, às 19h com a homenagem ao ator Sérgio Mamberti e aos diretores Eduardo Sanchez e Dan Myrick pelos 20 anos do filme “A Bruxa de Blair” + exibição do curta produzido pelos alunos da AACD + entrega do troféu José Mojica Marins aos vencedores de cada categoria.

Atendimento à Imprensa:
ATTi Comunicação e Ideias – Eliz Ferreira e Valéria Blanco
(11) 3729.1456 / 3729.1455 / 9 9105.0441

Hammer Time: AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula, 1960)

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O sucesso das primeiras incursões da Hammer Film no terror gótico, nas releituras dos clássicos monstros como Frankenstein, Drácula, a Múmia e Lobisomem, fez com que as suas continuações fossem, obviamente, inevitáveis. No caso da sequência de O VAMPIRO DA NOITE (que comentei por aqui há alguns anos), primeiro exemplar da Hammer sobre o famigerado personagem Conde Drácula, a produtora se deparou com um pequeno problema: a ausência de seu astro, Christopher Lee. Existem relatos variados sobre o motivo pelo qual Lee não quis reprisar seu icônico papel (o principal seria para não ficar marcado pelo personagem, o que acabou acontecendo de qualquer maneira, já que o sujeito voltou a encarnar o vampirão diversas vezes nas duas décadas seguintes), mas seja lá qual for a verdadeira razão, a Hammer teve que se virar e encontrar um novo vampiro.

Encontraram David Peel, que não chega nem no calcanhar de Christopher Lee, mas faz um bom vilão vampírico. Felizmente, eles ainda tinham também o diretor Terence Fisher, bons roteiristas, como Jimmy Sangster, o ator Peter Cushing e praticamente a mesma equipe técnica que realizou O VAMPIRO DA NOITE. O resultado foi AS NOIVAS DO VAMPIRO, que se não possui a mesma força que o anterior, não deixa de ser também um filme de vampiro agradável, que possui todos os mesmos elementos visuais que adoramos nos filmes da Hammer.

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No final do século XIX, uma jovem professora, Marianne (Yvonne Monlaur), está à caminho para ocupar uma posição numa academia de jovens moças na Transilvânia. Meio perdida durante o trajeto, uma mulher mais velha, a baronesa Meinster (Martita Hunt), oferece à moça estadia em seu castelo. Os aldeões parecem aterrorizados com a baronesa, mas Marianne, que é uma jovem inocente, fica feliz em aceitar sua oferta. Ela logo descobre que a baronesa não mora sozinha. Em outra ala do castelo ela vê um jovem jeitoso, filho da baronesa, mas que se encontra acorrentado. Diante dessa situação, o rapaz a convence de libertá-lo.

E é claro que o jovem barão Meinster (Peel) é um vampiro. Apesar do título original aparecer o nome “Drácula”, isso nunca é mencionado no filme. O que leva o título nacional a ter uma maior coerência, mas de fato temos aqui as noivas vampiras. Marianne parece destinada a se juntar a elas, mas felizmente o Dr. Van Helsing (Cushing) está passando pela aldeia fazendo algumas pesquisas sobre vampirismo e novamente terá que entrar em ação.

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Aliás, ação é o que não falta por aqui. AS NOIVAS DO VAMPIRO é bem mais agitado que o seu antecessor. O roteiro aparentemente passou por várias reescritas e nota-se uma certa bagunça na história e na quantidade de personagens. Como resultado, certas sub-tramas foram deixadas penduradas enquanto a trama principal é cheia de buracos. O diretor Terence Fisher, mestre do gênero, ignora sabiamente esses detalhes e se concentra na atmosfera, no visual e em manter a ação em movimento, consciente de que o filme tem força suficiente para compensar suas fraquezas.

No elenco, vale destacar Peel (como já disse, consegue fazer um bom vilão se não for comparado a Lee) e Cushing, que está em boa forma, como na maioria das vezes nessas produções da Hammer. Yvonne Monlaur faz pouco além de parecer assustada e inocente, mas Martita Hunt está bem expressiva como baronesa, que se revela mais vítima do que vilã. Freda Jackson dá uma exagerada como a velha enfermeira do jovem barão, mas funciona. E Miles Malleson oferece um bom alívio cômico como um médico de moral duvidosa.

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Os cenários estão entre os melhores das produções de horror gótico do Hammer. O Castelo Meinster é particularmente impressionante. Bernard Robinson foi responsável pelo design de produção e é um dos seus melhores trabalhos. A maravilhosa fotografia em cores Technicolor de Jack Asher é outro grande trunfo.

Sem qualquer desrespeito a Christopher Lee, de certa forma dá para refletir em como AS NOIVAS DO VAMPIRO se beneficia de sua ausência, uma vez que libera os roteiristas dos grilhões da história de Drácula e permite que eles se desviem em uma direção diferente. É óbvio que um monumento como Christopher Lee faz falta, mas o esforço de fazer algo original e fora dos padrões é o que torna AS NOIVAS DO VAMPIRO num dos melhores exemplares do gênero produzidos pela Hammer.

MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (1980)

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O planeta Akir é habitado por indivíduos que renunciaram à guerra e à violência e estão prestes a descobrir o que acontece quando pacifistas são ameaçados por alguém que não renunciou à guerra e à violência… O malvadão do espaço sideral, Sador (John Saxon), e seu exército de mutantes, ameaça os pobres cidadãos do planeta à destruição caso não se curvem diante dele. Como não sabem se defender, decidem enviar o jovem Shad (Richard Thomas) na missão de encontrar e contratar mercenários espaciais que estejam dispostos a lutar pelo pequeno planeta Akir (cujo nome não é nenhuma coincidência, como veremos a seguir).

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Sim, MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (Battle Beyond the Stars), produzido pelo grande Roger Corman, poderia ser definido como uma mistura entre OS SETE SAMURAIS, de Akira Kurosawa, e STAR WARS, num período em que fervilhava produções aproveitando do sucesso da clássica space opera de George Lucas. Se você já viu algum desses filmes (ou o remake do filme japonês, SETE HOMENS E UM DESTINO), o enredo não trará surpresa alguma. Mas a falta de originalidade da trama não é necessariamente um problema. A maneira como os realizadores brincam com essa mistura toda é o que acaba importando. São as sequências de ação, batalhas espaciais explosivas e muito tiro de raio laser, a variedade de personagens exóticos, maquiagens e efeitos especiais graciosos que esse tipo de produção classe B proporcionava…

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As filmagens não foram das melhores, apesar do orçamento ter sido dos mais abastados para os padrões de Corman (dois milhões de dólares). Atrasos na construção dos cenários e um mau tempo que fez o estúdio trabalhar com água até os tornozelos na maior parte do tempo não ajudava muito. O então futuro diretor James Cameron começou trabalhando aqui como um humilde modelador, mas pouco antes das filmagens começarem fizeram a preocupante descoberta de que o diretor de arte não tinha a menor ideia do que estava fazendo. E Cameron de repente se viu promovido à função. Mandou bem. O visual dos cenários e as miniaturas de naves e outros elementos estéticos são ótimos.

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O jovem James Cameron trabalhando em MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS

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Quem escreveu o roteiro foi outro futuro cineasta, o independente John Sayles, que dá um bom trato nos diálogos e na construção dos personagens, percebendo a importância de acentuar as diferenças entre os vários mercenários que pintam por aqui, com suas peculiaridades e culturas. Por mais bobinha que seja essa aventura, é esse tipo de detalhe que ajuda a tornar MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS um exemplar tão interessante e divertido.

No elenco, Richard Thomas tenta fugir de seu personagem mais famoso, John-Boy Walton, da série de TV THE WALTONS. Até que se sai bem, faz o jovem ingênuo, mas aventureiro que se arrisca em desbravar o universo em busca de salvar seu planeta. São curiosos os momentos em que precisar lidar com a dualidade da sua essência pacífica em contraste à necessidade de lutar e eventualmente tirar a vida de seus inimigos.

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Dos vários atores que retratam os mercenários, temos a presença de algumas figuras interessantes. Robert Vaughn, que estava em SETE HOMENS E UM DESTINO, faz um fascinante personagem trágico e atormentado. É praticamente o mesmo papel que fez no western de John Sturges. George Peppard, por outro lado, parece se divertir com o seu cowboy espacial. E Sybil Danning acrescenta um toque erótico ao filme, fazendo uma guerreira amazonas de outra galáxia com generosos decotes. Obviamente, vale destacar o desempenho de John Saxon como o tirano vilão imponente e cruel.

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A ação de MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS é um bom exemplo da abordagem de Roger Corman na produção, baseada em criatividade e imaginação – fazendo um pequeno orçamento durar mais do aparenta (até porque grande parte do dinheiro era para pagar os salários de Vaugh e Peppard) – e coube ao diretor Jimmy T. Murakami comandar sequências que não ficam nada a dever aos filmes B de batalhas espaciais do período. 

No fim das contas, temos aqui uma ópera espacial completamente agradável, um dos melhores dos muitos clones de STAR WARS.

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Hammer Time: O MONSTRO DO HIMALAIA (1957)

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O MONSTRO DO HIMALAIA (The Abominable Snowman), é o terceiro filme da colaboração entre o diretor Val Guest e o escritor Nigel Kneale sob a batuta da Hammer Film. Apesar de não estar no mesmo nível de TERROR QUE MATA (The Quatermass Xperiment, 1955) e QUATERMASS 2 (1957), não fica muito atrás. Peter Cushing é um montanhista/cientista que lidera uma expedição no Himalaia em busca do lendário Yeti, mais conhecido como o abominável homem das neves. O sujeito quer capturar um espécime para fins científicos, ao contrário de seu parceiro, Tom Friend (Forest Tucker), que encara a expedição como uma maneira de fazer fortuna.

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Muito antes de TUBARÃO, de Steven Spielberg, Val Guest já estava determinado a usar a velha tática de mostrar o mínimo possível do monstro, o que não só aumenta a tensão nas sequências de suspense, especialmente para o público da época, mas também coloca o foco nos personagens e suas motivações. Enquanto buscam encontrar um Yeti  ao escalar os colossais montes do Himalaia, acabam, na verdade, se deparando com seus próprios medos.

A produção de O MONSTRO DO HIMALAIA é caprichada, e percebe-se que fizeram um bom trabalho de filmagens em locação, imagens aéreas, que dão uma autenticidade visual especial ao filme. A fotografia em preto e branco (de Arthur Grant, responsável pelo visual extraordinário de vários clássicos da Hammer) é de encher os olhos. O roteiro de Nigel Kneale é inteligente, levanta questões interessantes sobre as origens e o destino final de nossa própria espécie, e sobre as relações entre ciência e entretenimento. No elenco, destaca-se obviamente Cushing, que mesmo em um modo mais discreto consegue sobressair-se. E Forest Tucker, que nunca chamou muito a atenção, mas faz um trabalho louvável aqui, sem deixar seu personagem se transformar numa mera caricatura.

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Um dos filmes mais subestimados da Hammer, pouco visto ultimamente, mas é altamente recomendado. Muito mais do que apenas um simples monster movie.